Clara Laurentiis, becaria de Brasil, durante el laboratorio de Kate McIntosh. ©Santiago Sepúlveda

Clara Laurentiis, becaria de Brasil, durante el laboratorio de Kate McIntosh. ©Santiago Sepúlveda

Por Clara Laurentiis*

Desmontar um objeto. Remontar um objeto que fora desarmado por alguém. Escolhi uma bolsa para desmontar, dessas de festa com muitas miçangas e lantejoulas. Cortando, aos poucos, os fios que prendem as pedras, o tempo passou sem contar. Me perco no tempo e na ação que se repete – e poderia se repetir eternamente. A delicadeza de desmontar um objeto cheio de detalhes é encantadora. Quanto tempo levaram para fazê-lo? quanto tempo demorará para desfaze-lo?

Ao remontar algo que alguém desmontou me deparo com a memória daquilo que o objeto foi. Nunca mais será. Uma xícara e um pires que permanecerão sempre em outro tempo. Caquinho por caquinho, o que surgirá é algo novo, sem nome, disforme.

Desmontar e montar objetos não tem um objetivo que não seja a ação em si. Isso faz com que se desloque a atenção para os atos e os gestos, o processo é o que passa a importar. Não há mais objetivo final, o que importa é algo no “entre”.

Gestos que se repetem e se perdem no tempo. Se perdem em um ponto do tempo. Ou seria uma linha? Talvez um círculo. Montar e desmontar transitam entre a memória e o porvir. E os dois se misturam e se confundem.

*Diseñadora gráfica brasileña, becaria de EXPERIMENTA/Sur V-2016.

Sobre la imagen: Clara Laurentiis en el laboratorio de Kate McIntosh. ©Santiago Sepúlveda